terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

UM BREVE PERFIL HISTÓRICO DA GLOBALIZAÇÃO


Proferido em 06 de maio de 2006 no Encontro Regional da 1° Região do Estado do Rio de Janeiro da Ordem DeMolay.

EM primeiro lugar, gostaria de agradecer o convite para participar desse Encontro DeMolay, o que me deixa muito honrado e envaidecido.
(...)
Mas o que me agrada nesses convites que recebo da jovem liderança demolay é que o tema já me chega pronto e delimitado, e depois de discorrer em encontros anteriores sobre marxismo e a biografia de Jacques DeMolay, tenho agora como tema dar uma visão histórica do processo de globalização em apenas meia hora!! Antes de falar da globalização a qual estamos vivendo nos dias atuais, seria interessante aqui dizer superficialmente para todos vocês que o mundo teve varias globalizações ou vários tipos de globalização, respeitando evidentemente os seus contextos temporais.
Globalização, mundialização, “il mare nostrum”, aldeia global, império “d’álem mar” e mais alguma outra denominação que agora me foge da lembrança, foram usadas ao longo de nossa história, em particular da História Ocidental ao qual mais adiante vou justificar. Temos inicio na civilização ocidental a Grécia clássica, que era um conjunto de cidades-estado, mas que geograficamente falando não chegou a compor um império, mas que conquistou o coração e mente de Alexandre da Macedônia que forjou o seu grande reino helenístico, o qual podemos o usar como um marco da união de várias unidades político/territoriais gravitando em um pólo dominador, o qual podemos chamar de “império”.

Roma foi realmente o primeiro grande império (o maior de todos os tempos em sua abrangência geográfica), ou mundo globalizado, respeitando e muito as devidas proporções que termo merece, atingindo o seu auge entre os séculos III a.C. e IX, quando o padrão social, comercial, administrativo, jurídico, religioso e outras coisas; era de certa forma uniforme em grande parte mundo até então conhecido, ao qual abrangia Eurásia, Índia, Oriente Próximo, África do Norte e subsaarianas (em parte).

As civilizações orientais também tiveram plenas condições de construírem mundos globalizados, em especial os árabes e a China especificamente no período da decadência de Roma, mas não o fizeram. Esse tema (e em especial sobre a China) tem sido a grande moda dos grandes estudiosos da História internacionalmente, mas é possível para adiantar para vocês que fatores internos, de cunho cultural no caso chinês e religioso no caso árabe contribuíram para essa “retração”.

O mundo europeu renascentista então tomou a frente e patrocinou uma grande globalização a partir do século meados do XV, tanto geográfica com a descoberta das rotas atlânticas de navegação e das Américas, quanto econômica, através do mercantilismo. A burguesia comercial elegeu a cidade de Amsterdã a capital econômica desse novo mundo global, da mesma forma como é Nova Iorque nos dias atuais. Depois as revoluções industriais e liberais que o mundo atravessou, em particular o “mundo ocidental”, reforçou essa tendência em tornar o mundo uma coisa só.

Essas “globalizações” que o mundo passou, podemos interpretar usando as lentes da questão geográfica, onde o mundo em princípio cresceu os limites territoriais e depois foi dividido em centros, periferias e semi-periferias (ou sub-periferias) econômicas e depois em colônias e neocolônias, desembocando na tal globalização em que vivemos marcada pela diminuição das distâncias, da tentativa de desconstruir certos conceitos ideológicos que venham a estorvar o desenvolvimento econômico global dos países ricos e principalmente com o domínio das tecnologias de informação (TI), o qual eu gosto particularmente de chamar como “Terceira Revolução Industrial”.

Usando a boa, simples e rápida, porém incompleta, “teoria da relatação cronológica factual”, vamos tentar compreender um pouco como a atual globalização se desenvolveu enquanto alguns de vocês nem tinham nascido e algum de nós aqui andávamos pelas ruas da Praça Seca com camisas brancas e calças, sapatos e gravatas pretas e mochila nas costas:

- Neoliberalismo, ou, Liberalismo II, o Retorno e a Vingança!! Marcado pelas gestões de seus dois grandes sacerdotes, Ronaldo Reagan e Margareth Tatcher; que foram grandes baluartes ao lado de João Paulo II no desmonte do comunismo soviético e no leste europeu.

- A queda do muro de Berlim em 09 de novembro de 1989 que marcou o inicio do fim do comunismo. Mais ou menos ao mesmo tempo começava a invasão dos computadores pessoais (PCs) da IBM juntamente com “revolução das janelas” arquitetada por um rapaz chamado Bill Gates... A sua difusão foi a ultima pá de cal na cova do comunismo. O primeiro PC chegou ao mercado em 1981 e a primeira versão do Windows foi lançada em 1985, mas a versão inovadora desse programa que tornou o PC aquilo que nós simples mortais a conhecemos hoje em dia (a versão 3.0), veio em 22 de maio de 1990, apenas seis meses depois da queda do muro.

- Em 1991, um especialista em computação inglês chamado Tim Beners Lee inventou o primeiro site da web criado para o compartilhamento de pesquisas entre os cientistas, e com isso foram criados vários “navegadores” para que fossem recebidos esses documentos. Uma micro empresa criou um navegador tão bom que virou padrão, o Netscape. Em 09 de agosto de 1995 a Netscape abriu o seu capital na Bolsa de valores de NY e depois disso o mundo nunca mais foi o mesmo.

- Com as facilidades que o mundo cibernético propiciaram as pessoas físicas e jurídicas, o neoliberalismo iniciou um forte processo de reestruturação, ou reengenharia se quiserem em que cada se voltava ao que sabia melhor fazer. Um exemplo: Eu sei fazer camisetas demolay, mas não entendo patavina de logística, cobrança e distribuição. E não tenho tempo para ficar varrendo o chão da oficina e nem de ir na esquina pagar as contas. Ou então, na minha empresa gasto muito com faxineiros, contínuos e caminhões. A resposta aos seus problemas surgiu com apenas uma palavra: Terceirização.

- Offshoring, ou seja, as multinacionais romperam as barreiras nacionais e internacionalizaram o seu capital abrindo fábricas nos locais mais remotos do mundo aonde ele possa tirar mais vantagens fiscais e menos gastos com trabalhadores (leia-se salário, seguro e etc.). A Ásia em particular e a China em especial são os grandes exemplos de offshoring.

- No mundo globalizado as cadeias de fornecimento estão mais enxutas e rápidas. Experimente comprar nos sítios dos grandes magazines, graças às tecnologias computacionais.

Esse é um mundo cruel, louco e maravilhoso em que vivemos. Depende do ponto referencial de observação em que nos encontramos para julgarmos assim. Ela é fantástica, unem as pessoas, mas, porém é desumana e segregacionista. Apenas um pouco mais de dez por cento da população do nosso planeta se beneficiam de todos esses avanços. Alguns outros poucos aproveitam do lixo tecnológico e se acham o máximo e o restante nem sabe o que está acontecendo, e se sabe já tem consciência de se seu alijamento sabendo que a única forma de entrar no capitalismo é da forma mais perversa: a narcocriminalidade (quem viu o documentário "Falcão: meninos do tráfico" sabe do que estamos falando).

Resta a presumível nova liderança demolay que aqui se encontra e no resto do mundo com os ensinamentos das virtudes na cabeça e no também no coração tentar tornar esse movimento irreversível da globalização menos perversa e mais humana. Tentar desmistificar o dogma criado em que a exclusão social de muitos em benefícios de poucos é inevitável. Uma vez, um dos nossos amigos em uma conversa me tentou convencer sobre a natural desigualdade isso com a seguinte comparação: Que todos somos iguais, mas quando nascemos com algo parecido a uma “mão de cartas”, e nem sempre essa “mão de cartas” é boa, ou seja, precisamos para vencer na vida esforçar-mos mais do outras pessoas que nasceram com uma boa “mão de cartas”. Eu acho devemos lutar que a vida deva ser como um jogo de xadrez, onde todos devem ter as mesmas oportunidades e a partir daí quem tem mais méritos vence.

Muito obrigado pela atenção.

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