
Olá;
Estive por esses dias na capital paraibana de João Pessoa e entre compromissos e afazeres os momentos de lazer foram, historicamente falando, muito bem aproveitados pela minha sorte de ter na city tour uma guia formada em História que foi além do trivial nesses passeios em que nem sempre os turistas estão afim de escutar...
Uma das coisas que admiro na História é que jamais um profissional pode reclamar de falta de descobertas e novidades, devido a enorme amplitude temática que nos é oferecido. E quando deixamos de lado a Grande História Generalizante, seja ela do Brasil ou do mundo, para entrarmos na História regional ou local, temos agradáveis surpresas.
Falo isso porque a minha rotina de professor de ensino médio até me impede de ir mais fundo em alguns temas como, por exemplo, abordar o personagem João Pessoa que como sabemos foi governador da Paraíba, candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas em 1930 e que cujo assassinato foi o pivô da revolução do mesmo ano.
Fiquei sabendo em menos de duas horas pela narrativa simpática e divertida guia, a Sra. Cacilda, que João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, era sobrinho de um ex-presidente da república, Epitácio Pessoa, fora ministro do Superior Tribunal Militar e que por isso nutria um enorme ódio, de recíproca verdadeira, contra os tenentes da Coluna Prestes, sendo o responsável pela sua sistemática perseguição. Largou o cargo para ser presidente do estado da Paraíba em 1928 (naquela época os governadores estaduais eram chamados de presidente), eleito em chapa única. Seu governo internamente foi bastante tumultuado, pois mesmo ele sendo um membro da oligarquia local, confrontou por demais com os interesses de poder dos mesmos, como a tributação de produtos comercializados no interior para outros estados, em especial Pernambuco, gerando uma revolta que alcançou vias de guerra civil. Nisso JP como um bom simpatizante do fascismo, fez o disparate de comprar um avião para bombardear o interior, mas não conseguiu fazer por causa das bombas que não cabiam no avião e assim mesmo mandou sobrevoar a região em rebelião jogando panfletos ameaçando bombardear caso não se rendessem... Como se diz na gíria atual, o implicante JP “bateu de frente” com quase a totalidade das figuras publicas paraibanas, com alguns episódios contados sobre birras que beiram o hilário anedotário, todos eles com muitos bons motivos para tirar a vida do sujeito. Mas o autor da façanha, João Duarte Dantas, o matou (já então candidato a vice presidente na chapa de Getúlio Vargas na famosa união de RS, MG e PB contra a chapa de Julio Prestes no rompimento do rodízio político do “café-com-leite”) em um restaurante na cidade de Recife, por motivos não políticos. Apesar do advogado e jornalista João Dantas ser partidário dos coronéis do interior no episódio da revolta, o motivo dele ter assassinado JP foi a de que cartas abordando o seu relacionamento amoroso com a sua namorada Anaíde Beiriz foram divulgadas nos jornais, o que na mentalidadeda época era uma questão de honrar o nome da moça.
O que veio a seguir em nível nacional já conhecemos um pouco melhor, e conclui-se que JP morto foi bem mais útil para Getúlio Vargas chegar ao poder do que seria se estivesse vivo...
Até os dias atuais a elite política paraíbana é dividida entre os contrários e favoráveis a JP, tanto que quando a cidade mudou seu nome de Cidade da Paraíba para João Pessoa, um plesbiscito popular foi previsto para confirmar a descisão, mas até hoje não foi realizada por pressões da oposição. É um interessante exemplo de como a História explica certos fenômenos políticos e sociais atuais, mostrando que em certos casos a morte não é necessessariamente o fim de tudo...
Estive por esses dias na capital paraibana de João Pessoa e entre compromissos e afazeres os momentos de lazer foram, historicamente falando, muito bem aproveitados pela minha sorte de ter na city tour uma guia formada em História que foi além do trivial nesses passeios em que nem sempre os turistas estão afim de escutar...
Uma das coisas que admiro na História é que jamais um profissional pode reclamar de falta de descobertas e novidades, devido a enorme amplitude temática que nos é oferecido. E quando deixamos de lado a Grande História Generalizante, seja ela do Brasil ou do mundo, para entrarmos na História regional ou local, temos agradáveis surpresas.
Falo isso porque a minha rotina de professor de ensino médio até me impede de ir mais fundo em alguns temas como, por exemplo, abordar o personagem João Pessoa que como sabemos foi governador da Paraíba, candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas em 1930 e que cujo assassinato foi o pivô da revolução do mesmo ano.
Fiquei sabendo em menos de duas horas pela narrativa simpática e divertida guia, a Sra. Cacilda, que João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, era sobrinho de um ex-presidente da república, Epitácio Pessoa, fora ministro do Superior Tribunal Militar e que por isso nutria um enorme ódio, de recíproca verdadeira, contra os tenentes da Coluna Prestes, sendo o responsável pela sua sistemática perseguição. Largou o cargo para ser presidente do estado da Paraíba em 1928 (naquela época os governadores estaduais eram chamados de presidente), eleito em chapa única. Seu governo internamente foi bastante tumultuado, pois mesmo ele sendo um membro da oligarquia local, confrontou por demais com os interesses de poder dos mesmos, como a tributação de produtos comercializados no interior para outros estados, em especial Pernambuco, gerando uma revolta que alcançou vias de guerra civil. Nisso JP como um bom simpatizante do fascismo, fez o disparate de comprar um avião para bombardear o interior, mas não conseguiu fazer por causa das bombas que não cabiam no avião e assim mesmo mandou sobrevoar a região em rebelião jogando panfletos ameaçando bombardear caso não se rendessem... Como se diz na gíria atual, o implicante JP “bateu de frente” com quase a totalidade das figuras publicas paraibanas, com alguns episódios contados sobre birras que beiram o hilário anedotário, todos eles com muitos bons motivos para tirar a vida do sujeito. Mas o autor da façanha, João Duarte Dantas, o matou (já então candidato a vice presidente na chapa de Getúlio Vargas na famosa união de RS, MG e PB contra a chapa de Julio Prestes no rompimento do rodízio político do “café-com-leite”) em um restaurante na cidade de Recife, por motivos não políticos. Apesar do advogado e jornalista João Dantas ser partidário dos coronéis do interior no episódio da revolta, o motivo dele ter assassinado JP foi a de que cartas abordando o seu relacionamento amoroso com a sua namorada Anaíde Beiriz foram divulgadas nos jornais, o que na mentalidadeda época era uma questão de honrar o nome da moça.
O que veio a seguir em nível nacional já conhecemos um pouco melhor, e conclui-se que JP morto foi bem mais útil para Getúlio Vargas chegar ao poder do que seria se estivesse vivo...
Até os dias atuais a elite política paraíbana é dividida entre os contrários e favoráveis a JP, tanto que quando a cidade mudou seu nome de Cidade da Paraíba para João Pessoa, um plesbiscito popular foi previsto para confirmar a descisão, mas até hoje não foi realizada por pressões da oposição. É um interessante exemplo de como a História explica certos fenômenos políticos e sociais atuais, mostrando que em certos casos a morte não é necessessariamente o fim de tudo...
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